Vinte pessoas foram presas, ontem, pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Moeda Falsa, que tinha como objetivo desarticular uma quadrilha especializada em falsificar cédulas de real. A PF calcula que a quadrilha tenha derramado R$ 3,5 milhões em dois anos, sendo R$ 3 milhões apenas na Capital e Região Metropolitana. Até agora a PF e o Banco Central recolheram 39,5 mil cédulas falsas de R$ 50 e R$ 100, o que daria cerca de R$ 3 milhões. Isso quer dizer que pelo menos R$ 500 mil falsos continuam circulando no Estado.
Dezenove dos presos foram detidos na Grande Curitiba e uma prisão foi fetia em Barretos, no interior de São Paulo. Entre os presos, está um advogado que trabalha em Curitiba e dava orientações legais ao grupo. A sofisticação das cédulas falsas é o que mais chama a atenção depois do valor derramado.
“Com certeza é a falsificação mais bem feita que se tem notícia. Se eu não trabalhasse na operação eu não saberia distinguir entre a verdadeira e a falsa”, afirmou Nelson Antunes, chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Fazendários da Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná (Delefaz-PR), durante entrevista coletiva concedida, ontem.
As notas eram produzidas a partir de um software que trazia cédulas de R$ 100 digitalizadas. “Este programa foi desenvolvido no Brasil, provavelmente baixado da internet há dois anos em São Paulo e foi melhorado. Mas foi no Paraná que a tecnologia foi aperfeiçoada, com a inclusão de técnicas de serigrafia, uma novidade na falsificação de dinheiro”, explica Antunes.
O programa paranaense já foi detectado em ramificações da quadrilha em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Isso pode significar que as notas falsas continuem a aparecer, agora por todo o País. “Acreditamos que há mais cópias do CD nas mãos de outras pessoas, então novas cédulas podem estar sendo produzidas”, alerta.
Todos os itens de segurança das notas foram perfeitamente falsificados pela quadrilha presa ontem, segundo a PF, com exceção do número de série. A marca d’água foi feita através da impressão de um similar que era colado entre a frente e o verso da nota. “A cédula verdadeira é feita em uma folha só, mas o ‘sanduíche’ da nota falsa é perfeito”, alerta Nelson Antunes. No caso das cédulas de R$ 50 e R$ 100, elas apresentam como marca d’água apenas a figura da República.
A imagem latente no lado inferior esquerdo da cédula também foi falsificada. Com uma caneta especial, a quadrilha desenvolveu a marca com as letras B e C, da sigla do Banco Central, idêntica à original. “A marca foi feita com uma caneta semelhante à usada em bares e casas noturnas, que só aparecem com luz negra”, explica o chefe da Delefaz-PR.
Porém, as falsificações dessas marcas de segurança já eram de conhecimento da Polícia Federal. O que surpreendeu a PF foi a introdução de técnicas de serigrafia pela quadrilha, uma inovação da matriz paranaense. “Eles usavam uma rede de serigrafia para fazer o relevo da nota, uma das principais marcações das cédulas”, informa Antunes. A fita de segurança também era reproduzida nas notas desta quadrilha.
Fonte: Bem Paraná
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